Como formar comitês

Orientações para formação dos comitês de luta contra o golpe

1. O caráter dos comitês

Os comitês são organismos suprapartidários voltados para a ação, voltados a agrupar toda e qualquer pessoa interessada na luta contra o golpe. É a luta contra o golpe o fator de coesão dos comitês, mesmo que algumas atividades se concentrem temporariamente em aspectos parciais dessa luta. A discussão política deve ser feita presencialmente e por meio do intercâmbio de textos.

2. A política nos comitês

É essencial a compreensão de que o golpe não se limitou ao impeachment de Dilma Rousseff: ele não está “dado”. O golpe está em andamento e é constituído pelo avanço do grande capital internacional sobre os direitos da classe trabalhadora. A cada medida golpista implementada, a cada “reforma” (fiscal, previdenciária, trabalhista), a cada privatização, à medida em que a esquerda e os sindicatos são perseguidos e criminalizados, aprofunda-se o golpe.

Lutar contra o golpe, assim, não se restringe a medidas políticas de tipo institucional visando a reverter o impeachment. Trata-se de mobilizar a classe trabalhadora de modo a constituir suas próprias organizações de luta política.

3. Iniciando o trabalho

  1. O primeiro passo é encontrar algumas pessoas interessadas em lutar contra o golpe e montar o comitê. Deve ser feita uma lista de contatos que podem se interessar em formar um comitê. Essas pessoas devem ser procuradas e convidadas para uma reunião. Recomenda-se buscar militantes de organizações que são contra o golpe: partidos de esquerda, sindicatos, associações de bairro, ocupações etc.
  2. Uma vez tendo conseguido algumas pessoas, devemos marcar um dia e encontrar um local para a reunião. A primeira reunião deve definir o caráter do comitê, e já deve organizar algumas atividades. De modo a firmar a pauta do grupo, convém elaborar um manifesto pontuando as ações concretas específicas do governo golpista que motivaram sua formação. Esse será uma espécie de proto-comitê.
  3. A partir daí, tendo as pessoas concordado em formar um comitê para lugar contra o golpe, o comitê deve ter um dia fixo e local para se reunir.
  4. Deve ser organizada a divulgação do comitê:
    • 4.1. impressão de filipetas informando sobre a intenção de formar o comitê, horário e local da reunião, para ser distribuída no local em que se pretende iniciar a atuação: escola, universidade, local de trabalho, bairro etc.
    • 4.2. criação de uma página própria colaborativa na internet (a maneira mais simples e rápida é no Facebook), de modo a documentar e dar publicidade imediata a suas ações.
    • Caso não tenha sido bem sucedido no passo 1, esse será seu verdadeiro início.
  5. Todas as reuniões devem organizar alguma atividade, independentemente de contar com uma, duas, cinco dez ou cinquenta pessoas. Quando o comitê ganhar algum volume, deve ser organizado um lançamento oficial do comitê, com um debate público bem convocado.
  6. Convém conectar o comitê a esta página central, enviando o manifesto de criação, a página na internet, nome e telefone para contato. Assim o coletivo compõe uma rede informacional capaz de absorver contribuições e multiplicar suas iniciativas.
  7. À medida em que o comitê cresce, é natural que se criem comissões de trabalho temáticas. Usualmente são as seguintes
    • Comissão de comunicação: encarregada de gerenciar os canais de publicidade do comitê.
    • Comissão de articulação política: encarregada de conectar o comitê a outras frentes e coletivos.
    • Comissão de agitação: encarregada de organizar a agenda e os atos de rua.

4. Algumas atividades básicas que o comitê pode realizar

  1. Colagem de cartazes.
  2. Panfletagem em diversos locais, desde praças e locais de grande concentração de pessoas, até locais de estudo, fábricas, bairros etc. Quanto mais diversificado, melhor.
  3. Produção de materiais do comitê (faixas para atos, materiais que ajudem a centralizar a atividade de rua, tais como bancas, cartazes informativos).
  4. Murais com foto e texto explicando o golpe e chamando para o comitê, nos locais de atuação desse.
  5. Mobilização de pessoas para atos. O comitê deve procurar participar ativamente das manifestações, tanto na sua cidade, quanto nacionais, tais como as que ocorreram em Brasília no dia 21 de junho de 2017 pela anulação do impeachment, ou como a que ocorreu em 10 de maio de 2017 contra a prisão de Lula, ou as archas nacionais contra as reformas golpistas, atos das greves gerais etc.
  6. Arrecadação de fundos.
  7. Coleta de assinaturas em ações populares.
  8. Produção de um boletim/jornal do comitê. Assim que tiver um mínimo de organização é interessante que o comitê tenha seu próprio órgão de imprensa, mesmo que modesto (uma folha frente e verso, algumas centenas de cópias). Nele, é possível informar nos seus locais de atuação sobre o progresso da luta contra o golpe tanto em âmbito local quanto nacional, polemizar, debater questões de interesse, convocar atos etc.
  9. Organização de ações coletivas. Tendo o comitê alcançado certa influência no seu âmbito de atuação, o que será obtido efetivamente com um órgão de imprensa, ele pode organizar até mesmo paralisações locais, ocupações, bloqueio temporário de ruas, entre outros.
  10. Produção de artigos locais para o site do comitê, as redes sociais ou outros órgãos de imprensa de esquerda, além de outras formas de propaganda que o comitê conseguir pensar.
  11. Debates

5. Sobre a arrecadação financeira

A arrecadação financeira é parte essencial de todo trabalho independente. A atividade deve ser encarada com naturalidade. Daremos aqui algumas sugestões:

  1. Produção de materiais contra o golpe para venda (camisetas, canecas, bótons etc).
  2. Arrecadação entre sindicatos e parlamentares.
  3. Caixinha nas atividades públicas (banca na rua, trabalho de porta em porta etc.)
  4. Rifas, pedágios etc.

Deve-se dar preferência para as atividades que estejam diretamente relacionadas à luta contra o golpe e deve-se sempre fazer referência a essa questão.