Anular o impeachment: no Brasil do golpe não haverá eleições democráticas

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Anular o impeachment: no Brasil do golpe não haverá eleições democráticas

A farsa da votação do afastamento do presidente golpista Michel Temer na Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira, evidencia, uma vez mais, que não há qualquer perspectiva de derrotar o golpe no terreno do congresso nacional golpista, dominado não por apenas uma quadrilha de “picaretas” mas por várias delas, que atuam como verdadeiros representantes dos setores mais reacionários do latifúndio e do grande capital “nacional” e internacional os quais realizaram – apenas nas últimas semanas – negócios da ordem de R$ 32 bilhões em torno da votação.

Muito mais do que a tradicional política de “é votando que se recebe” o que se viu foi que os grandes tubarões capitalistas, usaram a situação moribunda do governo Temer, para impor uma série de medidas adequadas aos seus interesses, tais como, a Portaria do Ministério do Trabalho que busca proibir a fiscalização do trabalho escravo, o perdão de cerca de R$ 3 bilhões de multas ambientais de grandes monopólios,  o estabelecimento de refinanciamento de dívidas fiscais – Refis – por até décadas, favorecendo capitalistas sonegadores de impostos pagos pelos trabalhadores e os leilões – à “preço de banana” – de enormes reservas de petróleo, nos próximos dias.

Temer sobrevive – sabe-se lá por quanto tempo – “ferido de morte”, rejeitado pela ampla maioria da população e ameaçado por um golpe militar – como anunciaram os próprios chefes do exército.

Se o “cadáver” do governo de Temer não foi enterrado pela  votação dos deputados, o mesmo não se pode dizer em relação à ilusão disseminada pela esmagadora maioria da esquerda de que seria possível derrotar a direita com discursos e votos dos “nobres” deputados. Se confirma o que já vinha sendo evidenciado desde a aceitação do processo de impeachment da presidenta Dilma, na Câmara dos Deputados: que era um beco sem saída acreditar que a direita golpista pudesse ser derrotada no Congresso Nacional, seja barrando o  impeachment de Dilma, seja rejeitando as  famigeradas reformas escravagistas, seja no afastamento de Temer. Mais ilusorio ainda era crer que este mesmo congresso golpista iria aprovar a antecipação das eleições.

Mais ainda há uma grande e perigosa ilusão que sobrevive nesta mesma esquerda: a de que mesmo nestas condições e, pior ainda, com a nova ofensiva que virá contra Lula – incluindo a ameaça crescente de sua prisão -, contra toda a esquerda e contra todo o povo brasileiro, será possível, sem derrotar o golpe, ocorrer no País eleições que tenham alguma semelhança com um processo minimamente democrático, nas quais haveria alguma chance para uma vitoria eleitoral popular, da esquerda.

A direita que mantém Temer, pelo momento, pela falta de melhor alternativa, pela divisão interna da burguesia, já deu provas que não deu  golpe – depois de perder quatro eleições nacionais consecutivas – para, depois, entregar o governo, democraticamente, em novas eleições.  Já mostrou que está disposta a tudo.  No Brasil do golpe não haverá eleições democráticas, nem nada parecido. No Brasil do golpe, sem a sua derrota, não haverá nada que interfira na sanha golpista.

Está provado por A + B que a permanência do golpe é o caminho para novas derrotas, inclusive, no terreno eleitoral.

É preciso superar qualquer ilusão que se oponha à esta realidade, largamente comprovada pela experiência dos últimos tempos.

A crise é agora. Não é possível esperar pelas eleições de 2018. Mas, pior do que isso, essa espera de nada adiantaria.

A única alternativa real para os explorados, para todos que lutam contra o golpe e defendem os interesses da maioria do povo brasileiro e suas organizações é impulsionar já a luta contra o golpe. É mobilizar pela anulação do impeachment, contra o golpe militar e por colocar abaixo o conjunto das reformas do regime golpista.

Reforçar e multiplicar os comitês de luta contra o golpe e pela anulação do impeachment para superar as ilusões e abrir uma saída real para a luta dos explorados.

 

Publicado originalmente no Diário Causa Operária.

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