Arquivo mensal novembro 2017

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As mentiras da imprensa golpista sobra a batalha da UFPE

Após a batalha da UFPE, na qual os estudantes e o Comitê de Luta Contra o Golpe da UFPE expulsaram os neonazistas, skinheads e demais facções fascistas que foram à universidade única e exclusivamente para desmobilizar o movimento estudantil pela força, os coxinhas recorreram à imprensa golpista para tentar passar sua versão dos fatos.

Como era de se esperar, a imprensa burguesa ocultou muita coisa do que aconteceu – como, por exemplo, a presença de skinheads. Além das omissões propositadas, diversas calúnias e falsificações grotescas foram feitas. Enumeramos, abaixo, algumas delas:

1 – Segundo o Diário de Pernambuco, estudantes com “camisas vermelhas do Partido da Causa Operária (PCO), tentaram impedir a passagem de quem queria ver o filme”. Isso, no entanto, jamais aconteceu. Nenhum estudante tentou impedir o filme de ser exibido, muito menos alguém do PCO.

2 – Segundo o Jornal do Commercio, Victor Assis, militante do PCO falou: “Esse evento que tá tendo é um evento comprado”. Isso, no entanto, não foi dito. O que foi dito foi que os promotores da atividade dos coxinhas contrataram skinheads e que a extrema-direita não é popular, mas é impulsionada por seus financiadores.

3 – A equipe de reportagem do Jornal do Commercio perguntou a Victor quantas pessoas participaram do cine-debate promovido pelo Comitê de Luta Contra o Golpe. Este, por sua vez, respondeu que participaram cerca de 250 pessoas. Na matéria que o jornal golpista fez sobre o assunto, no entanto, isso não foi divulgado. Por outro lado, o jornal fez questão de mencionar que o evento promovido pela extrema-direita contou com a participação de 230 pessoas.

4 – Ainda segundo o Jornal do Commercio, quem iniciou a confusão foi um dos estudantes. No entanto, isso não procede. Durante todo o cine-debate, os skinheads provocaram os estudantes, chegando até a colar cartazes e chutar uma cadeira. Ao terminar o filme, quando os fascistas e os estudantes se encontraram, um dos estudantes foi puxado pelos skinheads. O empurrão divulgado pela imprensa só aconteceu depois.

5 – O portal LeiaJá online, ligado a uma faculdade privada, omitiu quase tudo o que aconteceu. Segundo o portal, houve apenas um conflito entre os estudantes. Sequer o cine-debate é mencionado.

6 – O jornal O Estado de S. Paulo também publicou uma matéria sobre o ocorrido. Na matéria, o jornal diz que aguardou retorno do PCO até o fechamento da matéria, mas que o partido não entrou em contato. Na verdade, O Estado de S. Paulo se comunicou com um de nossos militantes e prometeu ligar futuramente. Tal ligação, contudo, não houve.

7 – O ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, disse que militantes de esquerda tentaram impedir o evento. O ministro golpista, contudo, não estava na UFPE para saber o que houve. Nenhum repúdio aos skinheads foi feito – afinal, essa é a “cultura” que o ministro aparenta cultuar.

 

Publicado originalmente no Diário Causa Operária.

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Primeira caravana de Lula por Minas Gerais – o que o povo quer é derrotar o golpe agora

Após oito dias de agenda intensa, percorrendo 21 cidades, encontrando praças e ruas lotadas, o ex-presidente Lula encerrou a primeira caravana de Minas Gerais atraindo com sucesso o povo mineiro em torno de suas propostas, reavivando esperanças de quem hoje já amarga pesados ataques e retrocessos, colhendo histórias de superação da época dos governos petistas, acompanhadas de carinho e agradecimento sinceros de todas as partes, mas também da pesada preocupação dos trabalhadores com um futuro que se mostra totalmente incerto.

Nesta caravana, Lula leva ao povo mineiro sua já conhecida política de conciliação social, cujo objetivo mantém-se em integrar as camadas mais pobres da população à vida social da classe média, para que todos, além do básico das “três refeições por dia”, também possam “andar de avião, comprar uma geladeira ou um carro novo”. Mas tudo isto, conforme ressalta Lula, “sem deixar de tratar bem o empresário honesto”.

 

O presidente defendeu com ênfase a volta dos investimentos sociais, como a manutenção do bolsa família. “Porque quando uma mãe recebe R$100,00, ela não vai depositar este dinheiro no banco, ela vai é no supermercado comprar comida para a sua família”. E aí, “é o supermercado que vende mais, e logo ele é obrigado a colocar mais um empregado, que também vai começar a consumir, e isto tudo somado faz girar novamente a roda gigante da economia”, por isto, conclui, “o pobre não é o problema, é a solução.”

O ex-presidente também reforçou em todas as cidades pelas quais passava a necessidade de retomar os investimentos em educação, porque “filho de pobre também tem o direito de ser doutor, de ser médico, de ser engenheiro”. “Educação não é gasto, é investimento, e é o investimento mais seguro que existe, porque quem aprende alguma coisa não esquece mais, por isto o que se investe em educação não se perde nunca”. E arremata: “nenhum país conseguiu se desenvolver sem educar o seu povo.”
É o projeto petista da conciliação geral das classes e da pacificação social no marco do capitalismo, que, nas palavras de Lula, agora não estaria mais tendo continuidade apenas porque “os ricos não gostam de ver um negro na universidade, ou alguém humilde disputando espaço dos ricos nos aeroportos e nos shoppings”.

Unicamente por “não gostarem de pobres”, defende Lula, as classes dominantes deram um golpe no governo da presidenta Dilma Rousseff, e, “em pouco mais de um ano estão destruindo tudo o que foi construído ao longo de 12 anos”.

Em resumo, o discurso do ex-presidente e do Partido dos Trabalhadores em geral continua seguindo os paradigmas eleitorais usuais, como se os petistas tivessem simplesmente perdido o poder em uma eleição e hoje fossem uma oposição normal de esquerda a um governo de direita.
Ainda que o presidente Lula e a presidenta Dilma chamem os golpistas corretamente de usurpadores, que dizem, “tomaram o poder através de um golpe parlamentar”, a política do partido continua a funcionar claramente nos marcos do antigo regime pré-2016, jogando todas as fichas em uma futura eleição, chamada por suas lideranças de “reencontro com a democracia”, onde “vamos virar a página deste golpe”, prometendo-se a revogação das medidas golpistas por meio de uma simples proposta de “referendo revocatório”.

Somente em alguns poucos momentos houve alguma menção a uma luta mais efetiva contra o golpe. Nisto destacou-se a presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, que reiteradamente e com toda a clareza levantou a bandeira da anulação do impeachment, ainda que variasse a ênfase que dava a esta luta.

Até mesmo a presidenta Dilma apontava as eleições de 2018 como a única saída democrática para o golpe, mesmo que por diversas oportunidades tenha agradecido à militante Edva, e “às meninas do Anula”, pela campanha pela anulação do impeachment em andamento.
Ou seja, o que se observa na carava de Lula é que, se por um lado foi um enorme acerto mobilizar e agitar o povo em torno do ex-presidente, colocando-o para o povo, corretamente, como um grande obstáculo ao golpe, por outro lado, o PT não conseguiu evoluir de sua antiga política eleitoral para os marcos atuais que correm por fora do jogo das eleições, ou seja, que já tomam ares de política revolucionária.

O PT não conseguiu até agora, por exemplo, agitar os brios de sua militância contra um golpe que transformou em fumaça todo o duríssimo trabalho dispendido pelo partido em 2014, na campanha eleitoral de Dilma, e que ainda terá pela frente uma verdadeira guerra civil em 2018, se houver eleições.

Não se vê, em momento algum, as lideranças petistas incentivarem seus militantes e o povo em geral, a aderir à campanha das assinaturas pela anulação do impeachment, ou explicarem para a população os potenciais desta política, inclusive de abrir caminho jurídico para a revogação das medidas golpistas, de impor uma derrota tão grande aos golpistas, que poderá viabilizar uma nova constituinte, ainda que seja necessária imensa pressão popular para se concretizar estes objetivos.

Ao que parece falta o PT confiar mais na força e no poder de mobilização da classe trabalhadora, e isto apesar do povo mineiro mostrar intensa adesão à luta contra o golpe, por exemplo, nas poucas oportunidades em que Edva conseguiu ter direito a falar sobre a necessidade de se agir agora contra o golpe, ao invés de se ficar apenas aguardando um longínquo pleito eleitoral em 2018, que “ninguém sabe se realmente vai acontecer”.

“É preciso lutar agora, anular este impeachment já”, disse Edva, pois aí “Dilma volta com a caneta na não para anular o que vem por aí, e para colocar sob judice o que já foi aprovado”. E pergunta a militante: “O que fazer neste sentido? É pressionar o Supremo Tribunal Federal! Vamos pressionar, vamos colocar 200 mil pessoas na frente do Supremo Tribunal Federal, vamos juntar PT, CUT, MST. Vamos colocar o povo lá para dizer NÃO ACEITO ESTE GOLPE, quero Dilma de volta, quero meus direitos de volta. É esta a luta. E esta luta garante eleições limpas em 2018. Caso contrário, a gente nem sabe se vai ter eleição”. E completa: “DILMA JÁ, LULA 2018! É este o caminho! É este o caminho!”

E, de fato, é este o caminho que o povo claramente demonstrou que quer trilhar. O caminho que aceito e confirmado através de cada uma das quase 2000 assinaturas colhida pela Ação Popular durante a caravana, a cada folha que foi levada para mais assinaturas, a cada embrião de comitê que foi semeado pelas cidades percorridas, enfim, em todas as muitas e muitas vezes que os poucos militantes envolvidos nesta luta ouviam reiteradamente o povo dizer: “é isto mesmo o que dever ser feito”.

Realmente, é isto o que deve ser feito. Levar este movimento às massas, com a maior intensidade possível, formar centenas de comitês, fazer com que toda a população saiba desta luta, e dar a chance para cada brasileiro assinar esta ação popular histórica e aderir concretamente à luta contra o golpe. Em resumo, ter consciência da força invencível da classe trabalhadora.

Acompanhar a caravana do presidente Lula comprovou claramente: mais do que as velhas cantilenas de conciliação de classes, mais do que “perdoar os golpistas”, lutar e derrotar o golpe é de fato a única coisa que o povo realmente quer agora. Imediatamente. Sem esperar mais um dia sequer, quanto menos ainda um longínquo e incerto 2018.

 

Publicado originalmente no Diário Causa Operária.

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Comitê contra o golpe de Pernambuco explica como organizar reação aos fascistas na universidade

No dia 27 de outubro foi exibido na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) o filme documentário sobre Olavo de Carvalho, “O Jardim das Aflições”, no Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) – o que demonstra a tentativa da direita, que é muito fraca nas universidades, de penetrar no meio, o que já vem acontecendo pouco a pouco.

Diante disso, o Comitê de luta contra o golpe de Pernambuco realizou no mesmo dia e na mesma hora, um ato contra o fascismo e a exibição do filme “Porque Lutamos – Resistência à Ditadura Militar”, demonstrando na prática um meio para combater a ofensiva da extrema-direita, que não seja a censura (defendida por grande parte do esquerdismo brasileiro).

A exibição dos dois filmes gerou um conflito entre o comitê e os fascistas, dentro do CFCH. A direita, que já estava reagindo histericamente ao chamado e panfletagem contra a exibição do documentário sobre seu guru, chamou grupos neonazistas, armados de armas brancas (como soco inglês, etc.) para enfrentar e intimidar o ato da esquerda.

Na saída do filme, ocorreu um confronto entre os fascistas e neonazistas que estavam assistindo o filme de Olavo, muitos com camisas exaltando Bolsonaro, e os participantes do “Cine-debate: abaixo a ditadura militar”. No final, depois de diversas trocas de xingamentos, o confronto acabou se tornando físico, e alguns manifestantes saíram feridos, mas a direita foi expulsa a pontapés e saiu correndo, como na revoada das galinhas verdes.

Nesse sentido, o comitê de pernambuco demonstrou o que deve ser feito para combater o fascistas na universidade e nas ruas: é preciso colocá-los para correr. Com o fascismo não se deve ter discussão; grupos como MBL, Vem pra Rua, Skinheads e outros tipos de reagrupamentos da extrema-direita são extremamente nocivos para o movimento operário, tendo sido usados para dar o golpe em Dilma, e historicamente para combater o comunismo e a esquerda no geral – financiados pelo imperialismo. Ao longo de 2015 e 2016, várias sedes de partidos de esquerda e sindicatos, assim como o Instituto Lula, foram alvos de ataques fascistas.

Por isso, por questão de sobrevivência, a esquerda e o movimento operário precisam reagir, organiza-se em comitês de luta contra o golpe e derrotar a direita. Como já dito pelo Partido da Causa Operária (PCO), é preciso “socar a cabeça dos fascistas na parede”.

 

Publicado originalmente no Diário Causa Operária.